sábado, 1 de agosto de 2009

Presidente do Equador diz que pode ter mesmo destino de Zelaya

QUITO (Reuters) - O presidente do Equador, Rafael Correa, disse neste sábado poderia ter o mesmo destino do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, em meio a uma investida da mídia internacional e local que visa a desestabilizar seu governo.

Correa, que assumirá um novo mandato de quatro anos no dia 10 de agosto, enfrentou nas últimas semanas novas acusações, reveladas em um vídeo e um diário de líderes guerrilheiros, a respeito de supostos vínculos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para financiamento da campanha que o levou ao poder.

"Temos alguns estudos de inteligência que dizem, inclusive, que depois de Zelaya o próximo sou eu, por determinadas condições do país, que querem desestabilizar", afirmou o presidente do Equador em um relatório semanal.

"É uma orquestração internacional que visa prejudicar o governo", acrescentou Correa.

O presidente equatoriano não forneceu mais detalhes sobre os estudos de inteligência e nem as medidas que adotaria para evitar tal desestabilização.

Correa conseguiu aprovar no ano passado uma nova Constituição socialista que autoriza a reeleição imediata do presidente e maior controle estatal na economia.

A declaração dele coincide com a apresentação de um vídeo na Colômbia, em que aparece o líder das Farc, Jorge Briceño, ou "Mono Jojoy", dizendo que entregou ajuda a sua campanha presidencial em 2006.

A Colômbia e o Equador mantêm suspensas as relações diplomáticas desde março de 2008, após uma incursão militar e, desde então, tem havido uma série de acusações entre os dois governos.

(Reportagem de Alexandra Valencia)
UOL Celular

terça-feira, 28 de abril de 2009

Correa destaca importância do Brasil para A.Latina

Madri, 28 abr (EFE).- O presidente do Equador, Rafael Correa, reeleito no último domingo, destacou a importância da postura de liderança do Brasil na América Latina.

"Não há dúvidas (sobre a liderança). Ninguém pode duvidar da importância do Brasil. É uma das 10 economias maiores do mundo e, por isso, adota essa liderança", afirmou em entrevista ao jornal espanhol "El País".

Correa disse ainda que a postura do Brasil na América sempre foi de respeito com os outros países da região.

"Sempre houve o mais profundo respeito para os demais países da América Latina. Sempre houve isso por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva", disse.

Além disso, o presidente equatoriano negou a existência de um "eixo" entre Venezuela, Bolívia e seu país, e propôs a criação de um Banco do Sul que respalde as moedas nacionais e seja financiado com fundos da região.

Correa assegurou ainda que o Equador tem excelentes relações com todos os países.

"Provavelmente viajei mais vezes ao Brasil do que à Venezuela. Viajei muitas mais vezes à Argentina. Não vejo nada de errado em existir um eixo como dizem, mas claramente não existe nenhum", afirmou.

O líder equatoriano também se referiu à conjuntura financeira regional e propôs a criação de "um fundo de reservas do Sul que sirva para respaldar as moedas nacionais, as crises de balanças de pagamento, e as crises fiscais".
UOL

domingo, 26 de abril de 2009

Começam as eleições no Equador; presidente é favorito

da Folha Online

As eleições gerais do Equador, que podem dar mais um mandato ao presidente Rafael Correa, até 2013, começaram às 9h deste domingo (horário de Brasília), com uma cerimônia de inauguração do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), em Quito.

Mais de 10 milhões de equatorianos estão habilitados para ir às urnas e escolher o presidente da República, legisladores da Assembleia Nacional, prefeitos, governadores regionais provinciais e vereadores municipais.

Segundo uma pesquisa de intenção de voto feita pela empresa Market, Correa lidera o pleito com 51,7% dos votos válidos, contra 27,3% de seu principal concorrente, o ex-presidente Lúcio Gutiérrez.

Se a votação confirmar estes resultados, Correa não precisaria de um segundo turno e seria ratificado no cargo para um período de quatro anos. A pesquisa foi feita entre sexta-feira (24) e ontem.

A lei equatoriana estabelece que um candidato a presidente ganha o pleito se alcançar pelo menos a metade mais um dos votos válidos ou se atingir 40% e uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre o segundo. Se nenhum dos candidatos conseguir essas porcentagens, será realizado um segundo turno entre os dois mais votados, no próximo dia 14 de junho.

Contra o favoritismo do presidente, que é acusado por seus adversários de ter usado a máquina do Estado a seu favor durante a campanha, está o ex-presidente Lucio Gutiérrez, do partido Sociedade Democrática (nacionalista).

Deposto da Presidência em abril de 2005, depois de uma rebelião popular que deslegitimou seu governo, Gutiérrez adotou o lema de campanha 'Com Lúcio é mais barato'.

Entre outras promessas, o candidato disse que, se eleito, restabelecerá as relações diplomáticas com a Colômbia e firmará um acordo de livre comércio com os Estados Unidos.

Já o rico empresário bananeiro Álvaro Noboa, do partido Renovador Institucional de Ação Nacional (direita), que disputa pela quarta vez consecutiva a Presidência, prometeu usar sua influência como 'homem de negócios' para atrair novos investimentos ao país e, a seu ver, acabar com os problemas econômicos do Equador.

Com Efe, France Presse e BBC Brasil

Chávez diz que a "revolução" vai continuar no Equador

CARACAS, Venezuela, 26 Abr 2009 (AFP) - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse que a "revolução no Equador continuará seu caminho", em ato público na noite de sábado, véspera das eleições que podem dar mais um mandato ao presidente Rafael Correa.

"Amanhã (domingo) o Equador vai realizar eleições e estaremos atentos, mas já podemos sentir no ar o que vai acontecer: a revolução no Equador seguirá seu caminho", destacou o presidente em ato público transmitido pelo canal estatal VTV.

UOL

domingo, 11 de janeiro de 2009

Equador paga dívida ao Brasil e embaixador brasileiro volta a Quito

da Folha Online

Atualizado às 00h28.

O governo brasileiro anunciou na noite de sábado que recebeu do Equador o valor referente às parcelas vencidas em dezembro do financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a construção da Hidrelétrica de San Francisco. Em nota, o Itamaraty informa que a quantia foi paga na quinta-feira passada (8).

Com o pagamento, o Embaixador do Brasil em Quito, Antonino Marques Porto, deverá retornar ao Equador no início da próxima semana. Ele retornou a Brasília a chamado do Ministro Celso Amorim para consultas, em 21 de novembro passado, em meio ao impasse causado após denúncias envolvendo a construção da hidrelétrica pela empreiteira brasileira Odebrecht.

Após a usina de San Francisco ser fechada por falhas estruturais, em junho, o Equador anunciou que recorreria à Câmara de Comércio Internacional (CCI) de Paris com o objetivo de não pagar o empréstimo de US$ 242,9 milhões contraído junto ao BNDES. O país buscava ajuda internacional para definir a legalidade da dívida.

O BNDES financiou a construção de uma hidrelétrica a cargo da Odebrecht que foi inaugurada no final de 2007.

A Odebrecht foi questionada pelo Equador quanto ao serviço prestado na construção e o presidente Rafael Correa expulsou a empresa do país. Em seguida, recorreu à Corte por suspeitas de irregularidades na execução da obra.

O ato irritou o Brasil e fez com que o embaixador brasileiro fosse retirado do país em novembro. Na ocasião, a então chanceler do Equador, María Isabel Salvador, criticou a decisão brasileira em resposta à medida equatoriana.

"Trata-se de um tema exclusivamente comercial e financeiro, não se trata de uma situação de um Estado contra outro. Por isso, ficamos tristes ao ver que um tema exclusivamente entre duas empresas tenha sido elevado a um nível diplomático", afirmou.

O presidente do Equador, Rafael Correa, disse que o Brasil quer transformar uma questão comercial em um impasse diplomático.

No fim de dezembro, o governo do Equador anunciou que havia pago uma parcela de US$ 28,1 milhões ao BNDES, com o qual mantém uma disputa comercial em uma corte internacional.

Segundo a nota, o governo brasileiro diz que "continuará a acompanhar com atenção a evolução de suas relações econômicas e financeiras com o Equador." O Ministério das Relações Exteriores brasileiro não revelou a quantia que foi paga pelo governo equatoriano.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Equador pode dar calote em toda a A. Latina (Gazeta Mercantil)

O presidente da construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht, afirmou ontem que, se o Equador deixar de pagar a dívida que tem com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o calote se estenderá para toda a América Latina — e, curiosamente, causará prejuízo ao próprio governo equatoriano. Fontes ligadas ao BNDES reafirmam que o empréstimo é protegido por um mecanismo de integração de bancos centrais do continente, mas não relatam quem assumiria o prejuízo no lugar da instituição: se caberia ao Tesouro Nacional ou se todos os países envolvidos arcariam com o prejuízo — tese do executivo da Odebrecht. Ontem, o governo equatoriano informou que estuda declarar moratória de um terço da dívida externa — equivalente a US$ 3,8 bilhões em bônus que vencem entre 2012 e 2030 — e se prepara para uma “luta internacional incrível” perante os credores. (págs. 1 e A12)

sábado, 22 de novembro de 2008

Com decisão inédita sob Lula, Itamaraty manda duro recado diplomático a Correa

IURI DANTAS
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Ao convocar um embaixador brasileiro para consultas pela primeira vez desde o início do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, o chanceler Celso Amorim enviou um recado diplomático claro ao governo de Rafael Correa: o contencioso do Equador com a Odebrecht ultrapassou os limites técnicos ao se transformar em ameaça de calote ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), foi contaminado politicamente, e isso é inaceitável.

Na linguagem diplomática, chamar o embaixador para consultas é uma ação que demonstra grave insatisfação com o outro governo. A convocação é um ato mais forte do que convidar o embaixador equatoriano no Brasil para esclarecimentos.

Em março, por exemplo, o Itamaraty convidou o embaixador espanhol em Brasília para uma reunião. Grosso modo, é como se o Brasil quisesse saber a explicação oficial da Espanha sobre os brasileiros barrados no aeroporto em Madri.

A convocação agora indica que o Brasil vai adotar uma nova postura nas relações com o Equador. O embaixador Antonino Marques Porto receberá instruções diretamente do chanceler sobre como agir daqui em diante.

"A convocação é a ação de praxe para demonstrar o descontentamento, uma forma de expressar de modo respeitoso uma grave insatisfação", disse Virgílio Arraes, professor da Universidade de Brasília.

Dependendo da escalada do contencioso, o Itamaraty vai decidir se é o caso do embaixador voltar ou não a Quito. A convocação permanente do embaixador representa o primeiro passo para o rompimento de relações diplomáticas.

Segundo a Folha apurou, a convocação de Marques Porto foi uma resposta política às atitudes de Correa. O governo brasileiro até aceitava arbitragem entre a Odebrecht e Quito, mas o uso político da disputa por Correa foi determinante na resposta brasileira. Em Brasília, a ordem é interromper os contatos bilaterais em todos os temas e congelar os pedidos comerciais do Equador.